sábado, 2 de outubro de 2010

Alguns brasileiros que brilharam na Europa (3ª PARTE)

E na terceira e última parte do nosso especial, que procura analisar se Ronaldinho Gaúcho foi realmente o melhor brasileiro jogando na Europa, vamos conhecer mais um pouco sobre a trajetória de alguns jogadores que brilharam no Velho Continente.

JÚLIO CESAR

Um dos melhores zagueiros da década de 1980, Júlio César defendeu as cores do Guarani de Campinas no início de sua carreira e, desde cedo, já apresentava a segurança e a regularidade que o tornariam famoso. Com apenas 23 anos de idade, foi convocado por Telê Santana para a disputa da Copa do Mundo de 1986. Depois da disputa do Mundial do México, foi vendido para o futebol francês. Júlio César atuou pelo FC Brest Armorique e, em 1987, se transferiu para o Montpellier, conquistado a Copa da França em 1990 (um dos últimos títulos importantes do clube). No mesmo ano, despertou o interesse da Juventus de Turim que o contratou.

Pela Vecchia Signora, o zagueiro fez parte de uma grande equipe formada pelos grandes Roberto Baggio, Gianluca Vialli e pelos alemães Andreas Möller Jürgen Kohler. Venceria a Copa da UEFA (a atual Liga Europa), na temporada 1992/93, vencedo o Borussia Dortmund na grande final. Curiosamente, o zagueiro acertaria com o clube alemão em 1994. Júlio César fez parte de uma das formações mais vitoriosas da história do Borussia Dortmund. Conquistaria o bicampeonato da Bundesliga (campeonato alemão) nas temporadas de 1994/95 e 1995/96, a Supercopa Alemã, o título da Liga dos Campeões (vencendo a Juventus, seu ex-clube, na final disputada em Munique), e o título do Mundia Interclubes (vencedo o Cruzeiro por 2 a 0 na final disputada em Tóquio) todos no ano de 1997. Júlio César jogou cinco temporadas pelo clube alemão e é considerado um dos maiores jogadores da história do Borussia.

Passou ainda pelo Botafogo, pelo Werder Bremen e pelo Panathinaikos antes de encerrar a carreira jogando pelo Rio Branco de Americana, em 2001, aos 37 anos. Júlio César realizou quatorze partidas pela seleção brasileira e marcou um gol. Talvez o único fato negativo na sua brilhante carreira tenha sido o pênalti perdido na partida contra a França, pela Copa do Mundo de 1986.

ÉLBER

O ex-atacante Élber começou nas categorias de base do Londrina e foi um dos destaques da Seleção Brasileira de Juniores, vice-campeã mundial em 1991. Com apenas 19 anos de idade, se transferiu para o Milan, iniciando uma carreira de muito sucesso no Velho Continente. Passou pelo Grasshopper da Suíça (1992 a 1993) e pelp Stuttgart (1993 a 1997), antes de chegar ao Bayern de Munique.

De 1997 a 2003, Élber participou de 190 jogos pelo clube bávaro, marcando 108 gols. Conquistou quatro títulos da Bundesliga (1999, 2000, 2001 e 2003), duas Copas da Alemanha (2000/01 e 2002/03), duas Copas da Liga Alemã (1999 e 2000) e o título da Liga dos Campeões e do Mundial Interclubes no ano de 2001.

Na campanha do título europeu, Élber fez seis gols e ajudou o Bayern a vencer gigantes do futebol europeu, como o Real Madrid, o Arsenal, o Lyon, o Manchester United e o Valencia, adversário da grande final disputada no estádio San Siro, em Milão. E no título do Mundial Inteclubes, Élber foi titular da equipe que venceu o Boca Juniros por 1 a 0 (gol do ganês Samuel Kuffour) num jogo emocionante disputado em Tóquio. Faziam parte daquele bom time do Bayern o brasileiro Paulo Sérgio, o grande Oliver Kahn e o inglês Hargreaves.

Élber passou ainda pelo Borussia Mönchengladbach e pelo Cruzeiro, antes de encerrar sua carreira em 2006. Era nome certo para disputar a Copa do Mundo de 1998, mas uma lesão no ombro tirou o atacante do Mundial da França. Fez quinze partidas e marcou sete gols pela seleção brasileira.

SONNY ANDERSON

O ex-atacante Sonny Anderson iniciou sua carreira nas categorias de base do Vasco da Gama. Passou pelo Guarani de Campinas antes de assinar com o Sertvete, da Suíça, marcado 31 gols em 52 partidas, e conquistando o campeonato suíço na temporada de 1993/94. As ótimas atuações chamaram a atenção do Olympique de Marselha, para onde Sonny Anderson se trasnferiu em 1994, marcando incríveis 20 gols em 16 partidas.

Teve uma boa passagem pelo Monaco (onde foi campeão francês na temporada de 1996/97), chegando ao Barcelona no ano de 1997. Pelo clube catalão, Anderson conquistou um campeonato espanhol (1997/98), uma Copa do Rei (1997) e uma Supercopa da Europa (1997) diante do Borussia Dortmund. Fez 47 partidas pelo Barça e marcou 21 gols, formando uma bela equipe com os brasileiros Giovanni e Rivaldo, os espanhóis Luís Henrique e Nadal, e o português Luís Figo. As suas excelentes atuações chamaram a atenção de Zagallo, que o convocou para a seleção brasileira pela primeira vez em 1997. Fez sete partidas com a camisa canarinho e marcou um gol numa partida amistosa contra a Coréia do Sul. Depois de dois anos jogando pelo Barcelona, Sonny Anderson se transferiu para o Lyon.

E Sonny Anderson também deixariaseu nome gravado na história do clube francês. Conquistou dois campeonatos franceses (2001/02 e 2002/03), uma Copa da Liga Francesa (2000/01) e uma Supercopa da França em 2002. Ao longo de quatro anos no Lyon, Anderson fez 110 partidas e marcou 71 gols. Passou ainda pelo Villarreal (onde foi campeão da Copa Intertoto da UEFA em 2004), pelo Al-Rayyan e pelo Al-Gharrafah, ambos clubes do Catar, antes de encerrar a carreira em 2007.

RIVALDO

Um dos maiores jogadores do futebol brasileiros dos últimos vinte anos (e talvez um dos mais injustiçados da história), Rivaldo iniciou sua carreira no Paulista de Pernambuco e passou pelo Santa Cruz, Mogi-Mirim, Corinthians e Palmeiras, antes de se trasnferir para o futebol espanhol em 1996, para substituir o ídolo Bebeto no Deportivo La Coruña. Com 21 gols marcados na temporada 1996/97, Rivaldo levou o clube galego ao terceiro lugar no campeonato espanhol.

Na temporada seguinte, Rivaldo já estaria no Barcelona para substituir Ronaldo, que havia se transferido para a Internazionale. E o jogador justificou os trinta milhões de dólares que o Barça pagou por ele. Conquistou dois campeonatos espanhóis (1998 e 1999), uma Copa do Rei (1998) e uma Supercopa Européia (1997). No ano de 1999, Rivaldo chegaria ao ápice com a Bola de Ouro (Ballor d'Or) da Revista France Football e com o título de melhor jogador do mundo dado pela FIFA. Ao longo de cinco anos jogando pelo Barça, Rivaldo marcou 86 gols em 157 partidas.

Em 2002, se transferiu para o Milan. Mesmo tendo participado dos títulos da Copa da Itália, da Liga dos Campeões da UEFA e da Supercopa da UEFA (todos conquistados em 2003), ficou na reserva do português Rui costa na maior parte de sua estada em Milão, e perdeu ainda mais espaço com a chegada de Kaká ao clube rossonero. Depois de uma passagem pífia pelo Cruzeiro, Rivaldo se transferiu para o futebol grego em 2004. Jogou três temporadas pelo Olympiakos, onde conquistou três campeonatos gregos (2005, 2006 e 2007) e duas Copas da Grécia (2005 e 2006).

Passou pelo AEK Atenas antes de se trasferir para o Bunyodkor, do Uzbequistão, numa das maiores transações da história do futebol do país. Depois de conquistar dois campeonatos uzbeques (2008 e 2009) e uma Copa do Uzbequistão (2008), Rivaldo rescindiu seu contrato com o Bunyodkor e atualmente está sem clube.

A trajetória de Rivaldo com a seleção brasileira é brilhante. Jogou 74 partidas e marcou 34 gols ao longo de dez anos. Conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, a Copa das Confederações em 1997, a Copa América de 1999 e Copa do Mundo de 2002, tendo uma atuação brilhante na conquista do pentacampeonato. Participou ainda da Mundial de 1998.

ROBERTO CARLOS

Atualmente jogando pelo Corinthians, o lateral-esquerdo Roberto Carlos teve uma carreira de muito sucesso na Europa. O jogador foi revelado pelo União São João em 1990, e viveu um grande momento no Palmeiras, onde jogou de 1993 a 1995, conquistando o bicampeonato paulisa (1993 e 1994), o bicampeonato brasileiro (1993 e 1994) e o Torneio Rio-São Paulo de 1993.

Jogou por um ano na Internazionale antes de chegar ao Real Madrid em 1996. E pelos merengues, o lateral conquistou tudo o que disputou ao longo de onze anos no clube. Foram quatro títulos espanhóis (1996/97, 2000/01, 2002/03 e 2006/07), três Supercopas da Espanha (1997, 2001 e 2003), três títulos da Liga dos Campeões da UEFA (1997/98, 1999/00 e 2001/02) e dois Mundiais Interclubes (1998 e 2002). Roberto Carlos fez parte da era dos Galácticos do Real Madrid, jogando junto de estrelas como Beckham, Figo, Zidane, Ronaldo, Raúl e Casillas.

Em janeiro de 2006, Roberto Carlos quebrou o recorde de Alfredo Di Stéfano com o estrangeiro com o maior número de partidas pela Liga Espanhola. Foram, em onze anos de Real Madrid, 584 partidas e 71 gols marcados. Em 2007, aos 34 anos, se transferiu para o Fenerbahçe, conquistando a Supercopa da Turquia no mesmo ano. Depois de três temporadas no clube turco, Roberto Carlos acertou com o Corinthians, onde joga atualmente.

Além da velocidade e dos belos gols de falta, Roberto Carlos também é conhecido pelas polêmicas, como a falha no gol de Roy Makaay nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões de 2006/07, e da passagem do meião, durante a derrota para a França nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2006. Apesar de tudo, seus números com a seleção brasileira são incríveis: Roberto Carlos disputou 132 partidas com a seleção brasileira e marcou 10 gols. Ganhou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, duas Copas América (1997 e 1999), uma Copa das Confederações (1997) e participou da conquista da Copa do Mundo de 2002, marcando um gol no Mundial.

RONALDO

Embora seja muito criticado por algumas decisões no mínimo "questionáveis" nos últimos anos, Ronaldo fez uma brlhante carreira na Europa. Iniciou sua carreira no futsal e nas categorias de base do São Cristóvão, para estourar no elenco profissional do Cruzeiro com apenas 16 anos. Depois da conquista da Copa do Brasil de 1993 e do Campeonato Mineiro de 1994, Ronaldo foi vendido para o PSV Eindhoven, da Holanda.

E Ronaldo mostrou suas credenciais no clube holandês. Marcou 67 gols em 71 jogos oficiais, mas a primeira de uma série de lesões no joelho fez com que o jogador tivesse de se afastar do time. Insatisfeito com a condição de reserva imposta pelo técnico Dick Advocaat depois que se recuperou, Ronaldo deixou o PSV depois dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, depois de conquistar a Copa dos Países Baixos. Seu destino seria o Barcelona. Nascia o "Fenômeno".

E Ronaldo justificou o investimento de 20 milhões de dólares com 34 gols em 37 partidas no campeonato espanhol de 1996/97. Em que pese o vice-campeonato da Liga, o Barça conquisotu o título da Copa do Rei e da Recopa Européia (com um gol de Ronaldo na final contra o Paris Saint-Germain). As grandes atuações lhe valeram o apelido de "Il Fenomeno", e o prêmio de melhor jogador do mundo de 1996, concedido pela FIFA. Depois da temporada vitoriosa no Barcelona, Ronaldo se transferiu para a Internazionale.

Pelos nerazzurri, Ronaldo conquistou a Copa da UEFA (atual Liga Europa) em 1998, marcando um gol na final contra a Lazio. Entretanto, este seria o único título conquistado em cinco anos de Inter, mesmo sendo mais uma vez eleito o melhor do mundo pela FIFA e ganhando a Bola de Ouro da Revista France Football em 1997. Além disso, uma série de lesões graves no joelho (inclusive aquela que oafastou dos gramados por um ano e três meses), o impediram de ajudar a Inter a conquistar o tão sonhado título italiano. Depois da sua surpreendente recuperação e da conquista brilhante da Copa do Mundo de 2002 (na qual seria o artilheiro com oito gols), o Fenômeno deixou a Internazionale e se transferiu para o Real Madrid.

Ronaldo se juntou a Figo, Beckham, Raúl, Roberto Carlos e Zidane, no time que ficou conhecido como os Galácticos. Mesmo sendo eleito pela FIFA o melhor jogador do mundo pela terceira vez em 2002, o Fenômeno demorou para conqusitar a confiança da torcida merengue. As vaias só sossegaram com três gols marcados na derrota para o Manchester United em Old Trafford por 4 a 3, resultado que classificou o time para as semifinais. Entretanto, o elenco estelar acabou não correspondendo às expectativas. Ronaldo foi muito criticado pela má forma física e começou a perder espaço para o holandês Rudd Van Nistelrroy. O Fenômeno conquistou o Mundial Interclubes em 2002, o campeonato espanhol em 2003 e 2007 e a Supercopa da Espanha em 2003.

O Fenômeno ainda passou pelo Milan, mas uma nova lesão no joelho o impediu de jogar muitas partidas durante os anos de 2007 e 2008. Se tratou no Flamengo, mas acabou acertando com o Corinthians numa atitude que gerou muitos protestos da torcida rubro-negra. Pelo Timão, conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista no ano de 2009. Recentemente, anunciou que irá pendurar as chuteiras no fim de 2011.

Pela seleção brasileira, Ronaldo disputou 97 partidas e marcou 62 gols. Conquistou duas Copas do Mundo (1994 e 2002), duas Copas América (1997 e 1999), uma Copa das Confederações (1997) e a medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta (1996). É até hoje, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 15 gols mrcados em quatro Mundiais.

RONALDINHO GAÚCHO

Claro que não poderia faltar ele. Ronaldinho Gaúcho iniciou sua carreira nas divisões de base do Grêmio e logo se destacou na seleção brasileira que venceu o Mundial Sub-17 no Egito, em 1997. Depois de conquistar o campeonato gaúcho e a Copa Sul em 1999, Ronaldinho causou muita polêmica ao se trasnferir para o Paris Saint-Germain em 2001.

Ficou duas temporadas no clube francês e conquistou o título da Copa Intertoto da UEFA logo no seu primero ano no PSG. Problemas de relacionamento com o técnico Luis Fernandez fizeram com que o jogador se transferisse para o Barcelona em 2003. E no clube catalão, viveria o ápice da sua carreira.

Pelos blaugranas, Ronaldinho conquistou dois campeonatos espanhóis (2004/05 e 2005/06), duas Supercopas da Espanha (2005 e 2006), além do título da Liga dos Campeões da UEFA de 2005/06. E foi jogando pelo Barça que ele foi eleito o melhor jogador do mundo nos anos de 2004 e 2005, e ainda levou a Bola de Ouro da Revista France Football em 2005. Ronaldinho Gaúcho fez parte de uma das melhores formações da história do Barcelona que contava ainda com o camaronês Eto'o, o português Deco, o argentino Messi e os espanhóis Xavi, Iniesta e Puyol. A temporada de 2007/08, entretanto, não foi boa para o jogador, que sofreu com lesões e críticas da própria diretoria do clube catalão. Depois de cinco temporadas jogando pelo Barça (98 gols em 215 partidas), Ronaldinho acertou sua transferência para o Milan.

Depois de um certo período de adaptação e de recuperação física, Ronaldinho Gaúcho voltou a brilhar, levando o clube rossonero a realizar boas campanhas no campeonato italiano e na Liga dos Campeões. Em dezembro de 2009, foi eleito pela Revista World Soccer o melhor jogador da década. O bom futebol apresentado em Milão nas duas últimas temporadas fizeram com que a torcida brasileira pedisse a convocação de Ronaldinho para a sua terceira Copa do Mundo, mas Dunga, então técnico da seleção, deixou o jogador de fora.

Os números de Ronaldinho Gaúcho com a seleção brasileira são excelentes. Além da conquista do pentacampeonato mundial em 2002 (quando marcou dois gols na competição), conquistou a Copa América em 1999, a Copa das Confederações em 2005, e a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Até aqui, foram 79 partidas com a camisa canarinho e 31 gols marcados.


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Diante de todos os jogadores citados, eu pergunto: você acha que Ronaldinho Gaúcho foi o melhor jogador brasileiro que jogou na Europa? Pense bem na sua resposta e lembre que, por uma questão de tempo hábil e espaço, deixei de fora da lista outros jogadores vitoriosos como Zico, Romário, Leonardo, Cafu, Lúcio, Bebeto, entre outros.

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